"Bem vindo, amigo, de volta à tua casa.

A Solidão estava a espera deste reencontro.

A Felicidade é como o céu:

Às vezes você olha, observa, sonha,

Mas nunca realmente esteve lá.

E o Amor? Ah, o Amor...

Os olhos turvos e uma garrafa vazia,

Eis a beleza do Amor.

A angústia e o frio no coração,

Eis a dor do Amor.

Essas coisas te caem bem,

Você fica muito bem nelas, devo dizer,

Para que mais você acha que nasceu?

Ah, não te iludas meu bom rapaz,

Não só a leste os caminhos estão bloqueados.

São coisas da vida, acontecem.

Não se importe com o que as pessoas dizem,

Não obstante, todos nós devemos concordar em um ponto:

O sarcasmo do destino algumas vezes,

Ou melhor, muitas vezes,

Chega a ser intragável.

"Assim como a vida", você deve estar pensando,

É, eu conheço você, caro amigo.

O que resta fazer? Nada,

Não te resta nada a fazer.

Pensando bem, há uma coisa que podes fazer:

Viver como um animal,

Acordar, comer e dormir,

Sempre neste itinerário,

Até que eventualmente algum predador te arranque a existência,

Não é assim que eles vivem?

Eu sei, eu sou como você,

Eu também sinto esta dor na garganta,

Mas não chores, inestimável amigo, tuas lágrimas já são poucas,

E talvez seja prudente salvar um pouco para o futuro,

Não é sabido o que nos espera.

É como aquele barco ao horizonte,

Enquanto as águas do oceano enchem os pulmões,

"Tudo acabou, só restou o Mar",

Isso é um fato.

E lembra-se daquela melodia?

É triste, eu compreendo,

Mas é como você disse uma vez,

"Te dá uma certa esperança",

E nisso eu concordo,

Um soriso que existe nas montanhas de Marte,

Uma vida com apenas um dia de tristeza,

Eis a nossa esperança.

Mas nós não estamos em Marte,

Estamos em outro lugar,

E essa vida não é a nossa, não é verdade?

Ainda sim esta centelha de alegria

Pode nos confortar a alma,

Já tão dolorida como o Espírito Humano,

Mesmo que não sejas capaz de ver a pequena chama neste mundo distante.

Estás vendo? Não é tão mal quanto aparenta.

Creio ser isso o que tinhas a conversar,

A nossa Companheira ainda nos espera"

Gilliatt XXVIIVIIIMMIV